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14/05/2006 21:23
src="http://ladyvandeath.blig.ig.com.br/imagens/x1pxoywqu4sjf405s6cv6qe2micbed6p7j3i1xqnz0cjfon9kzo_qldl2fd8qfv6osmphg8a0llfvwapv_nnkxhin6hzamxm0tita1gbuipammsla0wak0yyzpzrzhlp6vhxvrd_2ucggtxlus1f_.jpg">
Olá, hoje venho postar a letra de uma música que represente bem o que sinto nesse momento. Adaptei-me bem a munha nova rotina, fiz novos amigos, estou adorando São Paulo e tudo. Porém ainda há um vazio que não pode ser preenchido por nada disso. A diferença é que agora eu sei o que me falta. Lendo a letra dessa música, creio que vocês, meus caros, descobrirão do que estou falando. caso convenha a vocês, sugiro que escutem essa canção, ela é realmente linda.
"Solitude" - Evanescence
How many times have you told me you love her
As many times as I've wanted to tell you the truth
How long have I stood here beside you
I live through you
You looked through me
Ooh, Solitude,
Still with me is only you
Ooh, Solitude,
I can't stay away from you
How many times have I done this to myself
How long will it take before I see
When will this hole in my heart be mended
Who now is left alone but me
Ooh, Solitude,
Forever me and forever you
Ooh, Solitude,
Only you, only true
Everyone leave me stranded
Forgotten, abandoned, left behind
I can't stay here another night
Your secret admirer
Who could it be
Ooh, Can't you see
All along it was me
How can you be so blind
As to see right through me
And Ooh, Solitude,
Still with me is only you
Ooh, Solitude,
I can't stay away from you
Ooh, Solitude,
Forever me and forever you
Ooh, Solitude,
Only you, only true
Lady van death
enviada por Lady van Death
01/04/2006 14:26
Olá, meus caros! Como vocês estão?
devo dizer que o vazio continua, embora menos dilacerador agora. Hoje eu quero compartilhar um poema dos meus prediletos com vocês. Augusto dos Anjos é um dos expoentes da luteratura pré-modernista, e também um dos que eu mais leio.
Solitário
Como um fantasma que se refugia
Na solidão da natureza morta,
Por trás dos ermos túmulos, um dia,
Eu fui refugiar-me à tua porta!
Fazia frio e o frio que fazia
Não era esse que a carne nos conforta...
Cortava assim como carniçaria
O aço das facas incisivas corta!
Mas tu não vieste ver minha desgraça!
E eu saí, como quem tudo repele,
- Velho caixão a carregar destroços
Levando apenas na tumbal carcaça
O pergaminho singular da pele
E o chocalho fatídico dos ossos!
Augusto dos Anjos
enviada por Lady van Death
31/03/2006 00:54
Saudações, meus caros.
Espero que estejam melhor do que eu... Bem, já há bastante tempo deixei de ter a capacidade de intuir o motivo da minha melamcolia. Ela me é muito cara, eu jamais deixaria de tê-la, pois já faz parte de mim...
No entanto, sei que não é melancolia pura e simples que estou sentindo, é... solidão. Uma solidão dolorida, diferente da que costumo cultivar... Creio que a melhor descrição (e ainda assim, não a mais fiel)é a seguinte: estar só, não por querer, mas por não ter minguém presente (não apenas fisicamente). Bem, pode parecer estranho, mas é asim que me sinto... Sozinha no meu quarto, observando as peqienas luzes dos prédios ao longe, ouvindo o barulho da avenida, vendo pasar na rua pessoas compenetradas... Sob uma aparente normalidade, senti um vazio enorme, falta algo, mas o quê? Não sou capaz de dizer... Tamntas coisas... Porém uma só. Seria bom se eu soubesse o que é...
Essa solidão é cruel, não há uma pessoa que possa entender os sentimenros de outra, mesmo tendo estado em situação parecida... Mas creio que isso seja comum demais para cair nesa minha suposição.
Eu também preciso me libertar...
Lady van Death
enviada por Lady van Death
19/03/2006 21:35
Olá, meus caros!
Venho postar um novo conto, pretendo fazer uma continuação. Porém não sei para quando será. Perdõem-me eventuais erros gramaticais, mas minhas unhas compridas têm lá suas desvantagens... Risos.

Libertação
- Já tava na hora, Sara. Disse impaciente o homem elegante, apoiado na saída do metrô.
- Nem vêm, você não tem que agüentar uma tia chata que aparece sem ser convidada pra fofocar sobre Deus e o mundo! Ele sorriu discretamente. Fora um dia daqueles. Sara se atrasara, pois sua tia demorara demais a ir embora, consequentemente sua mãe fora dormir tarde, prendendo-a em casa por mais tempo do que ela imaginara.
- Fica fria respondeu distraidamente Alexandre, como ele se chamava. Você não é a única que perdeu a hora. Olha lá. Apontou para o fim da avenida com um movimento de cabeça, o que fez com que seus cabelos castanhos caíssem um pouco por sobre seus olhos.
- Desculpa aí, pessoal. Minha moto quebrou no caminho...
Sara escutou uma voz rouca e grave dizer dentro de sua cabeça: que novidade! e deu um leve riso, olhando para Alexandre. Ele também tinha uma ponta de sorriso irônico nos lábios.
...Droga de motor inútil! Acho que dessa vez não vai dar pra consertar! resmungava ofegante o rapaz de cabelos pretos e curtos, agasalhado por causa do frio.
- Fica de boa, Fábio, isso acontece quase toda semana, a gente já se acostumou. Disse Sara, vestindo o sobretudo preto que trazia na mão por cima da blusa vinho e da calça preta. Seus olhos puxados e seus cabelos lisos, pela altura do queixo, repicados, davam-lhe um ar ainda mais jovial.
- Chega de papo, galera, ta na hora da ação. Ainda tem muito sanguessuga andando por aí. Comandou o homem jovem, de cabelos à altura do pescoço e olhos verdes. Sua aparência elegante, com suas roupas, coturnos e seu sobretudo de couro preto, inspiravam liderança nos outros dois.
O Inverno não perdoava, São Paulo estava muito fria. A Avenida Paulista, a essa hora, tinha pouco movimento, embora passassem veículos frequentemente. Um vento leve começava a soprar, brincando com as folhas das poucas árvores.
De repente, Alexandre ficou sobressaltado. Começou a procurar algo aparentemente invisível. Sara e Fábio ficam atentos a qualquer movimento dele, esperando o sinal do homem jovem de olhos verdes.
- São três. Estão indo pro MASP, ainda não se alimentaram, vamos lá! Alexandre começou a correr, Sara e Fábio o seguiram.
Alguns minutos depois, finalmente avistaram o que procuravam. No pátio, que de dia é tomado por camelôs, sob o museu, duas vampiras e um vampiro cercavam uma garotinha de rua, que chorava assustada.
Ao serem percebidos por eles, os seis focarem imóveis, vendo o melhor momento para atacar. Era a calmaria antes da tempestade.
- A festa vai começar, galera. Os dois jovens ouviram a voz de Alexandre dizer secretamente a eles. Ele pode ler nas mentes deles pensamentos de determinação e coragem. Não fora à toa que os escolhera para ensinar-lhes a serem caçadores de vampiros. Sara tirou duas estacas afiadas do sobretudo.
Ainda telepaticamente, disse a eles que o grandão de camisa marrom era responsabilidade dele, um antigo conhecido. Postou-se à frente de seus amigos. Seus olhos ficaram ainda mais claros, dois caninos brancos como pérolas projetaram-se, tornando evidente sua condição.
O vampiro de camisa marrom também parara, encarando Alexandre fixamente e ameaçando-o. havia muitas coisas do passado reverberando nas mentes dos dois, e elas seriam finalmente resolvidas.
As duas outras criaturas ameaçavam os dois, que partiram para cima delas sem piedade. Uma luta complicada, seria matar ou morrer. Enquanto cada um de seus amigos lutava com uma das vampiras, os dois se mantinham imóveis. Porém isso não se prolongou. A garotinha, chorando, recuou para um canto escuro no qual ninguém repararia nela.
- Quer dizer que você mudou mesmo de lado, seu traidor?! Berrou com raiva o vampiro.
- Pois é, Leopold, além de ser minha maior vingança contra vocês, seres imundos, ainda ajudo a desinfetar a noite dessa sujeira ambulante. havia muita ironia na voz grave do vampiro de cabelos castanhos, mas por trás da sua clama aparente ele mantinha uma raiva acumulada dês de séculos. Se ele quisesse vencer, precisaria ter muita frieza, e isso já lhe fora ensinado pelo tempo, benevolente e impiedoso para com os da sua condição.
- Nós é que vamos nos livrar da vergonha que você dá pra nossa raça! era visível a irritação do outro, um ponto a favor de Alexandre.
Fábio recebera um corte feio no ombro. Movido pela obstinação, recuou e deu um salto, acertando o coração da vampira loira com um punhal de prata. No chão, restaram apenas as roupas vulgares da criatura exterminada.
Uma nova luta finalmente foi travada: dois vampiros seculares na tentativa de dar fim um ao outro. Os dois jovens, Sara e Fábio, estavam com Alexandre há bastante tempo, porém nunca tinham visto um embate entre dois seres de tamanha experiência.
Percebendo-se praticamente só, a outra vampira, uma criatura que devia ter sido uma bela mulher negra quando viva, ficou desesperada, indo para cima da garotinha. Ela não queria deixar que tudo aquilo fosse em vão, estava com muita sede. Sara, que agora via-a novamente, disparara uma seta, acertando a perna da vampira. Gritos dela ecoaram pelo lugar. A criatura continuou retirando a seta da perna.
Fábio dera alguns passos, mas Sara fez-lhe um sinal para que não interferisse. No entanto, vendo o sangue que escorria pelo braço definido do jovem, correu em sua direção com voracidade. Mas foi atingida com uma estaca em cheio no coração, virando pó antes mesmo de tocar o rapaz. Ao limpar a poeira da jaqueta, Fábio viu a expressão de satisfação no rosto de Sara, que foi logo substituída por um sorriso de alívio. Algumas mechas de seus cabelos caíam sobre seu rosto.
Só faltava uma vitória para que tudo estivesse acabado, Sara abraçava a garotinha assustada. Ela chorava e estava muito nervosa. Fábio fizera uma bandagem com a manga de sua camiseta, que pusera em torno do braço machucado.
Mesmo assim, a luta entre os dois ainda não tinha terminado. A fúria da Alexandre surpreendera os dois, ele sempre ostentara um ar controlado, contrastando com a atitude demasiado rebelde de Sara e de Fábio.
Uma coisa inesperada aconteceu. Uma luz muito forte surgiu num canto, envolvendo todo o lugar num branco súbito. A garotinha levitava, pairando acima deles, e dos dois vampiros, prostrados e protegendo os olhos da claridade. Grandes e belas assas brancas surgiram em suas costas, ela estava vestida com uma túnica branca, ornamentada com detalhes dourados. Sua fisionomia era a mesma, embora as marcas de sujeira tivessem desaparecido. Seus olhos e sua boca emanavam uma luz azulada, como se houvesse uma lâmpada forte no interior da cabeça da garotinha.
Foi tudo mito rápido.
Fábio e Sara retomaram a consciência. O que teria acontecido? Como tudo terminara? Levantaram-se do chão e, olhando em volta, viram Alexandre desacordado, estendido no cão, porém sem nenhum ferimento.
Os dois jovens tiveram uma surpresa ao verificar como ele estava: seu coração batia e seu corpo estava quente, como uma pessoa normal! Abrindo os olhos, o homem viu seus amigos e também a luz do sol, que estava nascendo.
Recuando involuntariamente, Alexandre descobriu que a luz não o feria mais e que tinha muitas dores pelo corpo. Coisa que há séculos não sentia. Sentando-se, ele olhou para os dois, que sorriram com o que deduziram.
- Ta tudo bem, cara? O que você fez pra conseguir suportar luz solar? Perguntou alegre Fábio, que já não tinha corte algum no braço.
- Não fiz nada, não sei nem o que aconteceu. Mas posso dizer que não podia ter sido nada melhor.
Sara e Fábio ajudaram Alexandre a se levantar. Os três seguiram pela avenida antes que começasse a aparecer gente.
Apesar da insistência dos amigos, o homem de cabelos castanhos não pode se lembrar da absolutamente nada que pudesse sanar a curiosidade deles.
Após uma breve caminhada, os três se separaram no mesmo local do princípio.
- Nada mudou. Hoje à noite, onze horas. Vamos terminar o que começamos, certo? - Disse Alexandre, antes que eles de dispersassem. Ao que responderam os dois afirmativamente.
- Pera ae, o que você vai fazer? Quis saber Fábio.
- Eu? Pretendo fazer o que por muito tempo não pude... Alexandre sorriu com não fazia dês de que fora transformado em vampiro, há séculos atrás. Um sorriso belo e leve, sem o peso da eternidade.
Por Lady van Death (Ana Pismel)
enviada por Lady van Death
12/03/2006 20:51
Saudações, meus caros vistantes, espero que lhes agrade o conto de minha autoria que irei hoje postar. Sei que à primeira vista ele pode parecer um pouco extenso, mas com certeca não é massante.
Podem copiar, não faço objeção, apenas peço que sejam mantidos os devidos créditos. Meus agradecimentos.

CÍRCULO DE SANGUE
Ana Pismel
Meu intento ao enviar-lhe esta carta é fazer saber ao senhor que meu dever foi cumprido. Devo dizer que nem mesmo eu acreditava poder arcar com a incumbência extraordinária que coube a mim. Devo agora informar-lhe do que se passou.
Cheguei a São Paulo, depois de ser informado a respeito das evidências. Instalei-me num local discreto, próximo aos locais onde os focos de ataque sucessivos estavam sendo registrados.
O primeiro dia foi dedicado a traçar uma estratégia de ação e examinar os indícios. Grosso modo, todas as evidências eram verdadeiras: as vítimas foram encontradas mortas, com ferimentos no pescoço, sempre perfurando a jugular (descritas pelos legistas como mordidas de cão, embora mais mortais). Os locais eram sempre escuros, becos desertos. Pelo mapa da cidade, os pontos ficavam próximos a lugares de grande movimento: o centro da cidade e majoritariamente bares e casas noturnas. Os intervalos entre os casos variavam de um a dois dias, no máximo.
Até aquele momento, tudo me levava a crer que havia realmente um vampiro rebelde vagando por entre a imensa cidade. Os corpos, encontrados a uma distância razoável do local de desaparecimento, as características dos ferimentos, etc. Tudo convergia para a constatação do fato.
Passei ao segundo passo: eliminar o vampiro que estava pondo em risco toda a Ordem. Esperei o cair da noite para investigar melhor os locais dos crimes, talvez houvesse mais pistas ocultas aos olhos humanos. A princípio, não havia nada de diferente, nada digno de maior atenção.
Mesmo assim, notei algo interessante ao observar mais profundamente os locais. Em todos eles havia um círculo, feito provavelmente com o sangue das próprias vítimas. Os sinais semelhantes aos dos antigos rituais medievais de evocação de força. Mas as características desses signos pareciam mais com uma espécie de assinatura do assassinato que, de fato, um ritual. Era algum desafio ao poder da Ordem.
Tudo foi bem mais rápido do que imaginei que seria, tenho que confessar. Em parte, tive sorte. Sabendo que havia um único lugar sem registro de ataques e seguindo uma forte intuição, fui até lá. Algo me dizia que as chances de encontrar o vampiro rebelde que desafiava a Ordem eram grandes.
Preparado para cumprir minha missão, saí para a noite. Meus trajes denunciavam que eu não era de lá, mas mesmo com o certo calor que fazia, era preciso esconder minhas armas. Andei pelas ruas e senti um pouco da liberdade da brisa fresca. Lamentei que as luzes da cidade ofuscassem a visão do céu e da lua.
Cheguei ao estabelecimento, semelhante a muitos outros que haviam naquela região, os jovens dançavam de um jeito estranho ao som de ma música repetitiva e entediante, muito alta. Era impossível ouvir qualquer coisa, ou mesmo conversar normalmente. Apesar de ter vivido tanto tempo, há coisas com as quais não consigo me acostumar. Há duzentos anos atrás era tudo tão diferente...
Ao passar pela porta, senti fortemente a presença de um outro vampiro ali. Redobrei minha atenção, indo em busca dele. Intui a iminência do ataque, era questão de tempo. Então aconteceu algo que baixou minha guarda por alguns segundos.
Lembranças, elas sempre surgem nos momentos mais inconvenientes. Era ela, e estava lá, vestida como as demais pessoas do lugar. Mas ainda eram os mesmos olhos castanhos que me fizeram amargar a dor de ter acabado com aquele amor pos todos esses longos anos. Não compreendo ainda por que instinto febril sorvi o sangue dela e quebrei a promessa que fiz a mim mesmo quando fui transformado num vampiro. Essa mesma dor, e a culpa, apunhalam minha consciência...
Voltei a mim, já não sentia mais a presença do meu alvo, com certeza ele havia fugido com sua nova vítima. Agora era uma questão de honra: já que eu não poderia trazê-la de volta, não permitiria que mais uma vida fosse tirada desnecessariamente!
Saí, seguindo o rastro do rebelde pelas ruas. A cada quarteirão pelo qual eu passava, era menor o número de pessoas e as ruas iam ficando cada vez mais escuras. Era previsível o que viria depois, eu sabia perfeitamente o que deveria fazer.
Corri cada vez mais rápido e, ao virar uma rua, finalmente tive contato visual com eles. Dois vultos indo na direção de uma construção alta e inacabada, um prédio sem muita iluminação. Pude perceber claramente que um deles conduzia o outro à força, eu os sentia como se estivessem a meio metro de distância.
Quando entrei na constrição ouvi um grito, uma mulher pedindo socorro. Subi até o último patamar da construção rapidamente. Mas lá estava um homem, morto, no meio de um círculo de sangue. Por que então uma mulher gritou? Claro, ela queria que eu visse, estava me atraindo para lá, mas essa armadilha não iria dar certo, eu estava disposto a cumprir minha missão.
A rebelde ainda estava por perto. Resolvi fazer o jogo dela. Fui seguindo as pistas que deixava, sentindo sua presença, esperando o momento certo para eliminá-la. Lentamente, percorri a construção até o subsolo. Pelo visto, meu alvo estava querendo me levar a um lugar predeterminado... Atento ao menor ruído, caminhei cada vez mais devagar. Finalmente, senti que a rebelde se aproximava lentamente. Comecei a andar num lugar amplo, as luzes que o iluminavam eram poucas e tudo estava imerso em sombras.
O que significaria aquilo? De fato, não era apenas mais um vampiro rebelde disposto a revelar o segredo da Ordem. O silêncio me fez pressentir que algo o desfecho do caso estava próximo. Poderia ser que...
Esquivei-me rapidamente de um ataque pelas costas. Saltei uns dois metros à frente de onde estava e olhei para trás. Ela estava parada, em guarda. Notei que havia no chão um grande círculo de sangue, e eu estivera no centro dele há dois segundos atrás.
Não era, porém, uma desconhecida. Meus fantasmas estavam armando uma conspiração contra mim ressuscitado Emma. Como isso era possível?
- Olá, meu caro... Disse ironicamente uma voz dolorosamente conhecida.
Respondi, escondendo minha surpresa ao vê-la novamente depois de tanto tempo. A vampira de olhos castanhos, parada indolentemente, em pé, segurando uma afiada espada numa das mãos. A outra, apoiada na cintura. O vento que soprava pelas portas, janelas e buracos da parede jogava seus cabelos castanhos e cumpridos por sobre o rosto, branco como mármore.
- Que frieza, Goran! Depois de tanto tempo, quase um século, é assim que você me recebe? E fez um movimento, arrastando a ponta da lâmina pelo chão de concreto, contornando seu corpo, apoiando a espada a sua frente.
Sua voz, antes angelical, agora era fria e cortante. Falava com a mesma ironia do princípio. Dera alguns passos, mantendo distância. Suas roupas denunciavam que estava infiltrada entre os humanos para vitimá-los, e fazendo parte de um grupo rebelde. Enquanto andava, a fenda em sua saia evidenciava sua coxa torneada, calçava botas pretas de cano alto, estava mais alta devido ao salto. Ela movia a espada com leveza, e até certa graça.
- O que pretende com isso? Perguntei a ela. Por que esperou todo esse tempo para tentar me matar?
- Passei-o caçando você, planejando a noite na qual eu teria o prazer de matar aquele que um dia me matou! Um riso gélido ecoou no vazio. Um brilho de raiva faiscava nos olhos dela.
Aquilo não poderia demorar mais. Mesmo sendo doloroso reencontrar tais recordações, eu tinha uma missão a cumprir. Se ela caçava humanos para rebeldes, era meu dever exterminá-la.
Esses pensamentos foram interrompidos pelo salto dela em minha direção, segurava firmemente a espada, com as duas mãos, visando atingir-me no coração. Dei um passo para trás e disparei um tiro contra a lâmina, atirando-a para longe de suas mãos. Ela caiu feito um gato, apoiada sobre a perna esquerda, que estava dobrada, a outra, estendida, estabilizando o equilíbrio. Com a mão livre, puxou também uma arma, ocultada pela saia, presa na coxa direita. Seus olhos, mais uma vez, brilhando de ódio.
Baixei minha arma e atirei-a ao chão, olhando firmemente dentro dos olhos de Emma. O desafio estava lançado. O nervosismo e a precipitação dela demonstraram o que sobrava de prepotência e faltava em experiência. Tirei o sobretudo, jogando-o a um canto e despojei-me das demais armas, conservando apenas dois punhais. Da mesma forma, ela se levantou, ainda apontando para o meu peito, mas soltou o pente do revólver e depois deixou-o cair no chão, ainda com o braço levantado e um ar de superioridade. Em seguida, alcançou sua espada e pôs-se em guarda. Agora sim seria uma luta justa.
Não descreverei a luta com detalhes, mas posso dizer que demorou mais do que imaginei. Pude constatar que foi feita uma lavagem cerebral, usando a raiva que ela tinha de mim, embora isso não mudasse o passado...
Eu a matei, atingindo seu coração quando ela saltava. Ainda no ar, escutei seu grito de dor e vi sua queda. Ferido, tendo me desfeito de outras armas para respeitar o Código, fiquei de mãos limpas ao largar a única arma usada na luta.
No chão, ela me deu seu último olhar, o mesmo de quando éramos humanos, mas além de amor, também havia dor...
Permaneci ainda muito tempo no meio do círculo, imóvel, no lugar onde ela morreu. Eu sentia ainda o corpo dela no meu, tomara-a nos braços, sentira seu último suspiro. Mas, antes que eu pudesse lhe dar um último beijo, o vento a levara de mim...
Acabou, minhas dívidas com o passado foram pagas com o perdão que Emma me deu naquele olhar. Por um breve momento, ela foi minha antiga amada. Aquela a qual não mereci. O anjo ao qual tirei a vida e mergulhei no inferno da minha condição.
By Ana Pismel
(Lady van death)
enviada por Lady van Death
11/03/2006 16:35
Como vão, vocês, meus caros? Espero que estejam bem.
Mudei-me para São Paulo no fim de semana passado, estou adorando minha nova rotina. Meu curso é bastante interessante, já tenho um mundo de coisas para ler.... Mas não tenho do que reclamar.
A vista da minha janela é bonita, posso ver, bem ao findo as lizes mais distantes se fundirem com as estrelas. Toda noite, fico deitada olhando a lua, que está quase cheia, bela e clara no céu escuro... Como eu gosto da lua...
Tive algumas idéias para contos, se tudo correr como planejei, em breve estarei colocando-os aqui para vocês. Iniciei uma pesquisa mais aprofindada sobre vampiros, pretendo elaborar vários textos que irei colocando aqui aos poucos.
Até mais ver, meus caros!
Lady van Death
enviada por Lady van Death
25/02/2006 15:00
Olá, meus caros
Meu ano letivo na USP começõu bem, conheci pessoas novas e paguei grandes micos. Já tenho um apartamento para morar alí por perto. minha janela tem uma linda vista noturna!
Aula Inaugural
Faltavam dez minutos para as duas horas da tarde. A maior parte dos calouros que vieram para a aula inaugural já estava na sala.. Quietos, pouco a vontade, não conhecendo quem estava a seu lado. Alguns poucos que já se conheciam conversavam baixo. O tempo passa e chega a hora da aula, mas os veteranos avisam que o professor vai demorar um pouco, pois acabara de chegar de viagem e estava vindo do aeroporto.
Quando o professor entrou, de terno e gravata, com um assistente ridiculamente puxa-saco, de óculos garrafais, todos exibiam uma cara de preocupação. Logo depois, ele ia começando um discurso lento e complexo enquanto seu assistente, que estava vestido praticamente igual a ele ia descarregando uma mala inteira de livros pesados e grossos sobre a mesa de mogno antiga e grande ao centro da elevação reservada ao professor. Um aluno ri.
- Onde está a graça? O senhor sabe quantos compromissos importantíssimos tive que desmarcar para estar aqui?
- Desculpe professor disse o aluno, provavelmente querendo que o chão se abrisse naquela hora.
- Senhores recomeçou o professor imponente. Agora que vocês farão parte do seleto grupo de sábios do país, e uma coisa que se faz extremamente fundamental é o respeito e a aceitação da autoridade dos mestres!
Ele ficou ainda uns dez minutos no mesmo assunto. Quando, finalmente, decidiu-se por retomar seu discurso, foi interrompido outra vez.
- Posso ir ao banheiro, professor? era a terceira vez que a mesma garota fazia a mesma indagação. Será que eu vou perder alguma coisa, é rapidinho...
- Senhorita, eu não sou sua mãe para lhe dizer o que fazer ou não! - o respeitável professor havia se irritado em demasia. Faça o que quiser. Quanto ao que vai perder, é óbvio, a senhorita não acha?
- Professor, eu só...
- A minha aula! O que pode ser pior que perder um segundo sequer da MINHA AULA? Jovens impetuosos, os senhores têm a noção de quantos anos eu levei para ter o título de doutor? e voltando-se para a estudante. Se a senhorita quer abdicar do privilégio de assisti-la, fique a vontade!
Não havia uma alma sequer que não estivesse se perguntando se estava realmente numa faculdade ou num sanatório, cercada de loucos... O assistente, conforme tinha ordenado o professor, apagava toda a enorme lousa com uma satisfação inexplicável em submeter-se às ordens mais bizarras do senhor de terno.
Senhores, escutem e aprendam: filósofos não riem, filósofos não contam piadas! Por quê? Eu vou lhes responder porque! O riso é a diferença entre o entendimento tardio e a vinda da razão! Logo, filósofos não dão risada, pois colocam sempre a razão acima de tudo!
Assim, o senhor de terno, com seu assistente a tira-colo, continuava a desfiar um verdadeiro rosário de coisas contraditórias e sem sentido. Não houve um instante no qual eu risse, não por acreditar no que ele nos falava do púlpito, mas por não saber se aquilo era mesmo uma sala de aula e ele um professor. Que pérolas... Dava para fazer várias pessoas rirem do que ele dizia...
... Outra coisa, senhores! Cultivem um ar de distração. Quando alguém lhes cumprimentar, olhem para cima e façam aquela cara de alienação. A pessoa pode levar para o lado pessoal, achar que é com ela. Porém, nós temos que estar sempre refletindo sobre tudo, e certas coisas nos atrapalham muito. Não podemos ceder ao corriqueiro, não podemos nos dar ao luxo de descansar um minuto que seja!
Eu estava, para falar a verdade, morrendo de medo da figura tresloucada que pregava seus ensinamentos desconexos com uma postura apocalíptica. Nessa altura, talvez todos nós, os incautos calouros, já não sabíamos se começaríamos o curso os se fugiríamos daquela faculdade para nunca mais voltar assim que aquilo terminasse.
Antes de tudo acabar, ele ainda desfeiteou uma aluna que veio de escola pública, dizendo os senhores vão me desculpar, mas os que vêm de escola pública podem até passar no vestibular, mas não possuem o nível cultural para estar entre nós!, e um outro calouro que não entendeu o que ele dizia com um o senhor passou mesmo no vestibular ou está aqui de favor? O exame tem que selecionar melhor os alunos que entram na USP! Como o nível caiu por aqui, que desgraça! Faltavam uns dez minutos para terminar a aula. Eu não via a hora de sumir dali.
- Eu não acredito! O senhor aqui de novo! disse desesperado um veterano do Centro Acadêmico de Filosofia. Já é a quarta vez que o senhor vem aqui quando não tem aula pra dar e rouba os alunos do outro professor! Ele está velho, quase gagá, pode ser a última aula que ele dê. Como o senhor faz uma coisa dessas assim? Só tem uns três calouros lá, ele ta totalmente desconcertado, coitado! O veterano parecia preocupadíssimo.
- Eu vim, venho e virei enquanto eu puder! Um filósofo tem que procurar sempre o público para ouvi-lo! O matusalém na outra sala que se dane!
Meu Deus, além de ter aulas com um professor maluco, nós ainda tínhamos entrado na aula errada! Não, isso não podia ser verdade! Que belo começo! Em que sanatório nós tínhamos nos metido... Com algumas diferenças, claro, era essa a essência do pensamento de todos nós, suponho.
Uma confusão de alunos tentando se retirar da sala e o murmúrio crescente fizeram com que chegasse a hora da verdade.
- Senhores ponderou calmamente o senhor de terno. Por favor, senhores, acalmem-se! Isso tudo foi uma brincadeira para descontrair, não passou de uma cena armada por nós para recepcioná-los com bom humor. Esse cara aqui (apontando para o assistente ao canto), bem puxa-saco ele, né? Bom, é da turma de Artes Cênicas da UNICAMP. Essa adorável garota também é atriz (a garota que foi xingada por ter vindo de uma escola pública) e esse é o meu filho (o cara que supostamente estaria ali de favor). O professor falou em tom agradável, quase cômico.
Pode-se ouvir um suspiro de alívio por parte de todos os calouros. Eu dei risada de mim mesma o resto do dia por ter anotado parte do que ele falava. Do meu lado esteve sentado um bonitinho que não parou de segurar o riso durante a aula inteira. Só depois que tudo foi esclarecido, deduzi que ele não era calouro coisa nenhuma, mas estava lá pra fazer volume e sabia do teatro todo.
Foi um mico, para não dizer um King - Kong, mas foi legal.
Ana Pismel
(Lady van death)
enviada por Lady van Death
19/02/2006 22:25
Olá, meus caros
Começo amanhâ minhas aulas na faculdade, minhas expectativas são muitas. Bem, se a tudo isso se somar o fato de que eu não sou o tipo de pessoa que se adapta facilmente a um novo ambiente social, creio realmente ter motivos para estar um pouco anciosa...
Por outro lado, a Filosofia ma fascina da tal modo, que eu não daria a mínima se não fizesse amogos lá pelo campus da USP em São Paulo...
Dessa vez, venho colocar-lhes um novo poema meu. Acredito que apenas uma pessoas já o tenha lido: um muito caro amigo.
Não Tive Medo
Prefiro chorar, se minhas lágrimas fizerem
o sorriso dos que amo.
Lord Khronos
"Não tive medo de chorar
Se das minhas lágrimas
Nascer o sorriso
Daqueles a quem amo
Ou, que um dia amei
Não tive medo de sangrar
Se o meu sangue forjar
Dos que, em algum momento
Fizeram algo por mim
Não tive medo de ocultar
Um sentimento sincero
Se ele trouxesse a mágoa
E o fim de uma amizade
Não tive medo de me ferir
Para ver minha dor
Transformada na lealdade
Que dedico àqueles
Com os quais me importo realmente
Mas receio que
Minhas lágrimas
Meu sangue
Meu segredos
E minha dor
Não possam impedir
Que eu caia novamente
Na solidão..."
Por Ana Pismel
enviada por Lady van Death
18/02/2006 18:37
src="http://ladyvandeath.blig.ig.com.br/imagens/14294290.jpg">
Olá a todos
Assim que possível postarei um trabalho meu, até lá, conto com a paciência de vocês.
Agradecimentos
Lady van death
enviada por Lady van Death
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