Perfil


Nome: Lady van Death (Ana Pismel)
Idade: 18 Outonos
Cidade: S�o Paulo
Signo: Sagit�rio
Cor: Preto, Roxo, Azul escuro e Vinho
Coisas que adoro: Ler, fazer poesia e escrever contos, desenhar, cinema, montar cavalo "y outras cositas m�s"
Coisas que odeio: inveja, ci�me, falsidade, possessividade, etc.

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19/03/2006 21:35
Olá, meus caros!
Venho postar um novo conto, pretendo fazer uma continuação. Porém não sei para quando será. Perdõem-me eventuais erros gramaticais, mas minhas unhas compridas têm lá suas desvantagens... Risos.




Libertação

- Já tava na hora, Sara. – Disse impaciente o homem elegante, apoiado na saída do metrô.
- Nem vêm, você não tem que agüentar uma tia chata que aparece sem ser convidada pra fofocar sobre Deus e o mundo! – Ele sorriu discretamente. Fora um dia daqueles. Sara se atrasara, pois sua tia demorara demais a ir embora, consequentemente sua mãe fora dormir tarde, prendendo-a em casa por mais tempo do que ela imaginara.
- Fica fria – respondeu distraidamente Alexandre, como ele se chamava. – Você não é a única que perdeu a hora. Olha lá. – Apontou para o fim da avenida com um movimento de cabeça, o que fez com que seus cabelos castanhos caíssem um pouco por sobre seus olhos.
- Desculpa aí, pessoal. Minha moto quebrou no caminho...
Sara escutou uma voz rouca e grave dizer dentro de sua cabeça: “que novidade!” e deu um leve riso, olhando para Alexandre. Ele também tinha uma ponta de sorriso irônico nos lábios.
...Droga de motor inútil! Acho que dessa vez não vai dar pra consertar! – resmungava ofegante o rapaz de cabelos pretos e curtos, agasalhado por causa do frio.
- Fica de boa, Fábio, isso acontece quase toda semana, a gente já se acostumou. – Disse Sara, vestindo o sobretudo preto que trazia na mão por cima da blusa vinho e da calça preta. Seus olhos puxados e seus cabelos lisos, pela altura do queixo, repicados, davam-lhe um ar ainda mais jovial.
- Chega de papo, galera, ta na hora da ação. Ainda tem muito sanguessuga andando por aí. – Comandou o homem jovem, de cabelos à altura do pescoço e olhos verdes. Sua aparência elegante, com suas roupas, coturnos e seu sobretudo de couro preto, inspiravam liderança nos outros dois.
O Inverno não perdoava, São Paulo estava muito fria. A Avenida Paulista, a essa hora, tinha pouco movimento, embora passassem veículos frequentemente. Um vento leve começava a soprar, brincando com as folhas das poucas árvores.
De repente, Alexandre ficou sobressaltado. Começou a procurar algo aparentemente invisível. Sara e Fábio ficam atentos a qualquer movimento dele, esperando o sinal do homem jovem de olhos verdes.
- São três. Estão indo pro MASP, ainda não se alimentaram, vamos lá! – Alexandre começou a correr, Sara e Fábio o seguiram.
Alguns minutos depois, finalmente avistaram o que procuravam. No pátio, que de dia é tomado por camelôs, sob o museu, duas vampiras e um vampiro cercavam uma garotinha de rua, que chorava assustada.
Ao serem percebidos por eles, os seis focarem imóveis, vendo o melhor momento para atacar. Era a calmaria antes da tempestade.
- A festa vai começar, galera. – Os dois jovens ouviram a voz de Alexandre dizer secretamente a eles. Ele pode ler nas mentes deles pensamentos de determinação e coragem. Não fora à toa que os escolhera para ensinar-lhes a serem caçadores de vampiros. Sara tirou duas estacas afiadas do sobretudo.
Ainda telepaticamente, disse a eles que o grandão de camisa marrom era responsabilidade dele, um antigo conhecido. Postou-se à frente de seus amigos. Seus olhos ficaram ainda mais claros, dois caninos brancos como pérolas projetaram-se, tornando evidente sua condição.
O vampiro de camisa marrom também parara, encarando Alexandre fixamente e ameaçando-o. havia muitas coisas do passado reverberando nas mentes dos dois, e elas seriam finalmente resolvidas.
As duas outras criaturas ameaçavam os dois, que partiram para cima delas sem piedade. Uma luta complicada, seria matar ou morrer. Enquanto cada um de seus amigos lutava com uma das vampiras, os dois se mantinham imóveis. Porém isso não se prolongou. A garotinha, chorando, recuou para um canto escuro no qual ninguém repararia nela.
- Quer dizer que você mudou mesmo de lado, seu traidor?! – Berrou com raiva o vampiro.
- Pois é, Leopold, além de ser minha maior vingança contra vocês, seres imundos, ainda ajudo a desinfetar a noite dessa sujeira ambulante. – havia muita ironia na voz grave do vampiro de cabelos castanhos, mas por trás da sua clama aparente ele mantinha uma raiva acumulada dês de séculos. Se ele quisesse vencer, precisaria ter muita frieza, e isso já lhe fora ensinado pelo tempo, benevolente e impiedoso para com os da sua condição.
- Nós é que vamos nos livrar da vergonha que você dá pra nossa raça! – era visível a irritação do outro, um ponto a favor de Alexandre.
Fábio recebera um corte feio no ombro. Movido pela obstinação, recuou e deu um salto, acertando o coração da vampira loira com um punhal de prata. No chão, restaram apenas as roupas vulgares da criatura exterminada.
Uma nova luta finalmente foi travada: dois vampiros seculares na tentativa de dar fim um ao outro. Os dois jovens, Sara e Fábio, estavam com Alexandre há bastante tempo, porém nunca tinham visto um embate entre dois seres de tamanha experiência.
Percebendo-se praticamente só, a outra vampira, uma criatura que devia ter sido uma bela mulher negra quando viva, ficou desesperada, indo para cima da garotinha. Ela não queria deixar que tudo aquilo fosse em vão, estava com muita sede. Sara, que agora via-a novamente, disparara uma seta, acertando a perna da vampira. Gritos dela ecoaram pelo lugar. A criatura continuou retirando a seta da perna.
Fábio dera alguns passos, mas Sara fez-lhe um sinal para que não interferisse. No entanto, vendo o sangue que escorria pelo braço definido do jovem, correu em sua direção com voracidade. Mas foi atingida com uma estaca em cheio no coração, virando pó antes mesmo de tocar o rapaz. Ao limpar a poeira da jaqueta, Fábio viu a expressão de satisfação no rosto de Sara, que foi logo substituída por um sorriso de alívio. Algumas mechas de seus cabelos caíam sobre seu rosto.
Só faltava uma vitória para que tudo estivesse acabado, Sara abraçava a garotinha assustada. Ela chorava e estava muito nervosa. Fábio fizera uma bandagem com a manga de sua camiseta, que pusera em torno do braço machucado.
Mesmo assim, a luta entre os dois ainda não tinha terminado. A fúria da Alexandre surpreendera os dois, ele sempre ostentara um ar controlado, contrastando com a atitude demasiado rebelde de Sara e de Fábio.
Uma coisa inesperada aconteceu. Uma luz muito forte surgiu num canto, envolvendo todo o lugar num branco súbito. A garotinha levitava, pairando acima deles, e dos dois vampiros, prostrados e protegendo os olhos da claridade. Grandes e belas assas brancas surgiram em suas costas, ela estava vestida com uma túnica branca, ornamentada com detalhes dourados. Sua fisionomia era a mesma, embora as marcas de sujeira tivessem desaparecido. Seus olhos e sua boca emanavam uma luz azulada, como se houvesse uma lâmpada forte no interior da cabeça da garotinha.
Foi tudo mito rápido.

Fábio e Sara retomaram a consciência. O que teria acontecido? Como tudo terminara? Levantaram-se do chão e, olhando em volta, viram Alexandre desacordado, estendido no cão, porém sem nenhum ferimento.
Os dois jovens tiveram uma surpresa ao verificar como ele estava: seu coração batia e seu corpo estava quente, como uma pessoa normal! Abrindo os olhos, o homem viu seus amigos e também a luz do sol, que estava nascendo.
Recuando involuntariamente, Alexandre descobriu que a luz não o feria mais e que tinha muitas dores pelo corpo. Coisa que há séculos não sentia. Sentando-se, ele olhou para os dois, que sorriram com o que deduziram.
- Ta tudo bem, cara? O que você fez pra conseguir suportar luz solar? – Perguntou alegre Fábio, que já não tinha corte algum no braço.
- Não fiz nada, não sei nem o que aconteceu. Mas posso dizer que não podia ter sido nada melhor.
Sara e Fábio ajudaram Alexandre a se levantar. Os três seguiram pela avenida antes que começasse a aparecer gente.
Apesar da insistência dos amigos, o homem de cabelos castanhos não pode se lembrar da absolutamente nada que pudesse sanar a curiosidade deles.
Após uma breve caminhada, os três se separaram no mesmo local do princípio.
- Nada mudou. Hoje à noite, onze horas. Vamos terminar o que começamos, certo? - Disse Alexandre, antes que eles de dispersassem. Ao que responderam os dois afirmativamente.
- Pera ae, o que você vai fazer? – Quis saber Fábio.
- Eu? Pretendo fazer o que por muito tempo não pude... – Alexandre sorriu com não fazia dês de que fora transformado em vampiro, há séculos atrás. Um sorriso belo e leve, sem o peso da eternidade.
Por Lady van Death (Ana Pismel)

enviada por Lady van Death






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